sexta-feira, 22 de maio de 2015

Eu sou neguinha?



Vanessa Sigiane da Mata Ferreira

Natural de Alto Garças no Mato Grosso, a belíssima Vanessa da Mata me encanta com seu jeito, seu carisma e seu timbre de voz único, já conhecia até pouco tempo atrás algumas músicas dela, aquelas que a maioria conhece como "Boa sorte" e "Não me deixe só". Através de um alguém especial, passei a ter mais contato com os álbuns, desde então comecei a dar mais importância para essa mulher maravilhosa, pesquisei mais sobre ela, me apaixonei pelos duetos com o Chorão, sim! uma artista completa. Cara ela consegue se destacar, sua presença de palco é sem igual, jeitinho 100% brasileiro. A música Amado tem um grande valor pessoal para mim, minha preferida (tem um bom motivo pra isso) fora que expressa tudo aquilo que a Vanessa tem de melhor como artista, a forma como canta e coloca toda sua emoção é inacreditável e apaixonante.
Se gosta de MPB e nunca ouviu pare e escute, ela deu sua interpretação para a musica "Eu sou neguinha" do Caetano Veloso e ficou sensacional. Simplesmente Vanessa da Mata!

Eu tava encostado ali minha guitarra
Num quadrado branco, vídeo papelão
Eu era um enigma, uma interrogação
Olha que coisa
Mas que coisa à toa, boa, boa, boa, boa, boa
Eu tava com graça
Tava por acaso ali, não era nada
Bunda de mulata, muque de peão
Tava em Madureira, tava na Bahia
No Beaubourg, no Bronx, no Brás
E eu, e eu, e eu, e eu
A me perguntar
Eu sou neguinha?

Era uma mensagem
Lia uma mensagem
Parece bobagem mas não era não
Eu não decifrava, eu não conseguia
Mas aquilo ia, e eu ia, e eu ia, e eu ia, e eu ia
Eu me perguntava

Era um gesto hippie, um desenho estranho
Homens trabalhando, para e contramão
E era uma alegria, era uma esperança
Era dança e dança ou não, ou não, ou não, ou não, ou não
Tava perguntado:
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?
Sou neguinha
Eu sou neguinha?
Sou neguinha

Eu tava rezando ali completamente
Um crente, uma lente, era uma visão
Totalmente terceiro sexo
Totalmente terceiro mundo terceiro milênio
Carne nua, nua, nua, nua, nua, nua
Era tão gozado
Era um trio elétrico, era fantasia
Escola de samba na televisão
Cruz no fim do túnel, beco sem saída
E eu era a saída, melodia, meio-dia, dia, dia, dia
Era o que eu dizia:
Eu sou neguinha?

Mas via outras coisas: via o moço forte
Ea mulher macia den'da escuridão
Via o que é visível, via o que não via
E o que poesia e a profecia não vêem
Mas vêem, vêem, vêem, vêem, vêem
É o que parecia
Que as coisas conversam coisas surpreendentes
Fatalmente erram, acham solução
E que o mesmo signo que eu tento ler e ser
É apenas um possível e o impossível
Em mim, em mil, em mil, em mil, em mil
E a pergunta vinha:
Eu sou neguinha?

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